Vou agora contar uma história de que eu me orgulho muito. Talvez a história que eu mais me orgulhe de ter vivido até agora. A história de como eu conheci a Paulinha e de tudo o que eu passei para conseguir realizar esse que é o sonho de qualquer pimentinha.
Bom, minha luta já começou com o fato de que, se eu quisesse mesmo ver a Paula Pimenta eu teria de viajar para o lugar em que ela estivesse, já que moro em uma cidade relativamente pequena em Minas Gerais, na qual ela nunca viria.
Eu estava entrando no blog de FMF todos os dias (às vezes mais de uma vez ao dia) para saber a data de lançamento de FMF 4. Assim descobri que nos dias 18 e 19 de maio a Paula estaria na Bienal do livro de Minas em Belo Horizonte. A partir daí comecei minha luta diária para convencer meus pais a me levarem a BH. Só que problema era o que não faltava: dia 18 de maio era aniversário do meu irmão mais novo, BH é a quatro horas da cidade que eu moro, não tenho casa na cidade (teria que ficar em um hotel) e meus pais não estavam nem um pouco afim de cooperar com meu sonho.
Mas como boa brasileira que sou, não desisti no primeiro empecilho (nem nos primeiros). Continuei insistindo e dizendo que aquilo era uma coisa muito importante para mim. Mas a situação estava feia mesmo.
Chegou a semana do dia 18 e eu estava desolada! Não queria perder aquela chance! Eu queria ver a Paula Pimenta! Não desisti e continuei insistindo.
Até que na terça-feira (dia 15) Deus resolveu me dar uma ajudinha (que depois eu descobriria que seria apenas a primeira). Conversando com uma tia minha sobre toda essa situação, ela ofereceu o seu apartamento em BH para que nós ficássemos lá no final de semana. Eu mal pude acreditar! Pensei: “meus problemas estão resolvidos!” (coitadinha de mim. Sempre tão ingênua...). Depois de mais alguma insistência minha a da minha tia (como eu a amo!) meus pais finalmente cederam. Fomos para Belo Horizonte na sexta-feira, dia 18 de maio.
Finalmente em BH pude relaxar, afinal, eu já estava na cidade em que, no dia seguinte, eu veria a Paula Pimenta; o que poderia dar errado?
No sábado de manhã saí para procurar a casa da Fani conhecer a cidade (a Paula estaria na bienal somente á partir das 16 horas) e fiquei o tempo com a sensação de que encontraria a Fani ou a Priscila em cada esquina. Nem estava acreditando que estava passando por todos os lugares que elas passavam nos livros! A emoção de estar naquela cidade já valia à pena!
Cheguei ao expominas (onde estava ocorrendo a bienal) às 15:30 e pensei, novamente na minha ingenuidade, que estava chegando cedo. Assim que avistei o estande da Autêntica Editora, quase tive um infarto. Eram tantas meninas, mas tantas meninas, que não dava nem para chegar perto!
Tentei me informar com um moço que estava tentando (coitado, tive pena) organizar a fila de garotas. Ele me disse que a Paula estaria em outro estande mas, para vê-la, só pegando uma senha ali no estande da Autêntica mesmo. Fui procurar então o lugar aonde se devia pegar a senha.
Foi aí que meu mundo desabou. Uma funcionária do estande me disse que as senhas (eram 400) já tinham sido distribuídas e não havia sobrado nenhuminha para contar a história.
Eu não sabia mais o que fazer. Não tinha mais senhas! Eu não veria a Paula Pimenta! Meus olhos se encheram de lágrimas e minha mãe, percebendo como eu estava arrasada, veio tentando me consolar. Eu simplesmente virei para ela e falei: “eu vou ver a Paula Pimenta. Não sei como mas eu vou”. Ela viu o quanto eu estava decidida e começou a me ajudar a achar alguém que pudesse nos dar uma informação melhor sobre tudo aquilo. Sinto muito mais tenho que dizer: nunca vi um lugar mais desorganizado na minha vida! Cada pessoa para quem perguntávamos nos dava uma informação diferente!
Eu ainda tinha que comprar o livro para ser autografado e resolvi então entrar na fila (se é que se pode chamar aquilo de fila) que estava na frente do estande. O problema é que ninguém sabia para que era aquela fila, nem mesmo as garotas que estavam nela. E eu só estava ficando cada vez mais nervosa. Para você entender a minha real situação naquele momento: eu estava sem o livro que deveria ser autografado e sem saber se eles ainda tinham livro para vender ou se já tinha esgotado, estava sem a senha necessária para ver a Paula Pimenta, no meio de centenas de garotas em uma fila que ninguém sabia onde ia dar. Só para aumentar meu nível de desespero escuto de repente ao longe: “Paula, nós te amamos! Paula, nós te amamos!” que significava que a Paula Pimenta havia chegado e já devia estar distribuindo autógrafos em algum lugar.
Minha mãe já estava me preparando mentalmente: “filha, se você não conseguir vê-la hoje está tudo bem, você vai ter outras oportunidades. Não fique triste” ao que eu respondi “Mãe, eu vou ver a Paula Pimenta hoje, não importa o que eu tenha que fazer, nem o quanto demore, nem qualquer outra coisa. Eu vou ver a Paula hoje”. Sinceramente acho que eu ficava repetindo isso para ver se conseguia mesmo acreditar.
Com mais um empurrãozinho divido (e depois de minha mãe já ter brigado com a moça que trabalhava na bienal) nós descobrimos que aquela fila era para se comprar FMF 4. Pelo menos eu sabia que era ali mesmo que deveria estar. Enquanto estava na fila comecei a puxar papo com as meninas que estavam a minha volta tentando achar alguém que, assim como eu, estava sem a senha. Quem sabe se a gente se unisse e fosse “chorar” com o pessoal da editora eles nos deixassem ver a Paula também?
Uma hora e quarenta minutos depois (e sem achar nenhuma garota disposta a se unir a mim na batalha) finalmente consegui comprar o livro. Ele era tão lindo (e ainda vinha com o esmalte de brinde) que eu até me esqueci que estava sem a bendita senha para ver a Paulinha. Quando voltei para o mundo real percebi que minha mãe estava conversando com a amiga dela. Minha mãe contou para ela que eu não conseguiria ver a Paula Pimenta porque não tinha chegado a tempo de pegar uma senha. Eu já estava abrindo a boca para falar que eu veria sim a Paula, nem que tivesse que chorar de verdade para me deixarem fazer isso (o que não seria muito difícil já que eu já estava quase a beira das lágrimas de tanto desespero), quando a Fernanda (a filha da amiga da minha mãe) virou e falou: “nem pensar! Vocês vieram até BH para ver essa mulher e você vai ver! Vem comigo Luiza, vamos procurar onde ela está.” Ela me pegou pela mão e me arrastou até o estande aonde a Paula Pimenta estava.
Eu quase morri do coração. Nós paramos bem ao lado da Paula. A menos de dois metros de distância. Eu estava separa da Paula Pimenta apenas por uma grade e... uma mulher estressada que eu acho que era da equipe da editora Autêntica. A Fernanda começou a conversar com essa mulher para saber o que poderíamos fazer para conseguir uma senha e ela falava: “não vai mais ter senha. Já foram distribuídas as 400 e agora não tem mais. Quando a Paula acabar de autografar o livro dessas 400 meninas nós vamos conversar com ela e somente se ela estiver se sentindo disposta o suficiente para isso, as outras garotas também receberão autógrafo”.
O que aconteceu a seguir eu não vou saber descrever muito bem porque foi tudo muito rápido, em um instante eu estava desesperada e sem conseguir tirar os olhos da Paula Pimenta e no outro eu estava chorando compulsivamente no ombro de um cara que eu nem conhecia. Agora você deve estar pensando “como assim?”. Pois é! Eu também não sei. Só sei que eu estava observando a Paula dar autógrafos do outro lado da grade e escutando a Fernanda conversar com a moça da editora do meu lado quando um cara apareceu no meio da muvuca (estava tudo realmente uma muvuca! Lotado, lotado, lotado!) me cutucou e perguntou: “ei! Você está sem senha? Quer ficar com a minha? Eu peguei porque queria conversar com a Paula, mas nessa confusão não vai dar e eu vou esperar ela acabar de distribuir os autógrafos para depois tentar falar com ela. Não vou usar minha senha. Pode ficar.” Ele me estendeu sorrindo um papel com o número 399. E no instante seguinte eu estava chorando desesperadamente no ombro dele.
Não sei o que deu em mim, eu não faço esse tipo de coisa, mas quando o cara me estendeu aquele papel eu simplesmente virei para ele e falei: “posso te dar um abraço moço?” e ele, muito surpreso, disse que sim. Foi aí que eu, ao som das risadas da Fernanda, comecei a chorar no ombro dele. Também não sei o que aconteceu a seguir (acho que a Fernanda deve ter ficado com vergonha do cara e me arrancado do abraço dele), mas quando parei de chorar eu já estava abraçada com minha mãe enquanto a Fernanda contava para ela, ainda sem acreditar na minha sorte, o que tinha acontecido.
Depois de me recompor (sério gente, eu chorei muito mesmo! Juntou a emoção de ver a Paulinha de perto e ainda ter a sorte de achar aquele anjo que me deu a senha e estar com FMF4 em mãos! Imagina!) entrei na fila das quatrocentas garotas que tinham a senha para ver a Paula Pimenta e lá fiquei por mais duas horas e meia até chegar minha vez de tirar foto e ganhar autógrafo da Paula.
Eu achei que ia chorar quando chegasse perto dela e nem ia conseguir falar, mas eu não chorei e até que consegui falar direitinho (mesmo que tenham sido só umas palavrinhas) e entregar a minha cartinha para ela. Só chorei quando saí do local em que ela estava, porque foi quando caiu a ficha de que eu tinha abraçado e tirado foto com a Paula Pimenta. Chorei pra caramba outra vez. Tava até ficando parecida com a Fani...
Bom, depois disso tudo achei que o sonho dia já tinha acabado e me assentei em uma cadeira para começar a ler meu FMF4 (eu não ia conseguir esperar chegar em casa). Estava lá quietinha no meu canto com o livro na mão quando alguém me cutuca no ombro (dois cutuques no mesmo dia!). Era um cara que falou: “Você ta lendo Fazendo meu filme?” e respondi que sim e ele: “Aqui para você um CD da banda No Voice” eu abri a boca maior que o mundo e falei “sério mesmo?”. Eu não podia acreditar na minha sorte! Vocês têm noção? Tinha tudo para dar errado desde o começo (era no dia do aniversário do meu irmão, meus pais não queriam ir de forma alguma, eu não tinha comprado o livro, eu não tinha senha) mas deu certo! Mais do que certo, porque eu ainda consegui que o Bruno (depois descobri que tinha sido ele que tinha me cutucado) e a própria Paula autografassem o CD pra mim.
Bom, esse post já está ficando grande de mais e eu tenho que terminar, não posso contar tooodos os detalhes como eu gostaria (é, ainda tem mais coisa). Só quero dizer uma coisa para quem não percebeu: eu só consegui tudo isso porque desde o começo disse que conseguiria. Eu podia ter desistido quando meus pais me disseram o primeiro (ou o segundo, ou o terceiro, ou vigésimo) “não”, podia ter desistido quando me disseram que não haviam mais senhas (como muitas meninas fizeram, por sinal) mas eu me lembrei de uma coisa que aprendi com FMF e com a história de vida da Paula Pimenta: se queremos muito uma coisa temos que lutar por ela e acreditar com todas as forças que conseguiremos. Eu acreditei. E consegui.
Só mais recadinho (esse é pra Paula Pimenta): Paula, eu não sei se o anjo divino moço que me deu a senha (esqueci o nome dele infelizmente) chegou a falar com você, então eu vou falar o que ele me falou: ele já leu toda a coleção FMF e até MVFS (leu mesmo, eu testei os conhecimentos dele) e adorou! Ele é ator e soube que você está pensando em transformar FMF em filme. Acho que a real intenção dele era conseguir um papel, mas não sei direito porque ele não chegou a me falar. Só queria te contar porque não sei se ele conseguiu falar contigo e eu estava devendo essa à ele, né? Então se você se lembra de um cara de boina que veio falar alguma coisa com você sobre o filme de FMF na bienal de BH, dá uma chance pra ele! Ele merece MUITO! Qualquer cena que ele tiver que fazer com a “Fani” vai ser perfeita, porque deixar gente chorar no ombro dele é o seu forte! :-P
Espero que minha história inspire vocês a também lutar pelos seus sonhos até o fim pimentinhas!
Beijos,
Luiza
encontrou a casa da Fani??????? Procurou a dos outros também????????
ResponderExcluirHahahahahaha Infelizmente não! :( Mas vi uma casa no bairro que a Paulinha mora com vários cachorros e achei que era a dela. Como a Fani é parte da Paula acho que a casa da Paula também é dela, né? Então eu acho que encontrei sim! ;)
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